14 janeiro 2013

João 1.1a



No princípio era o Verbo...”
João começa o seu Evangelho, do mesmo modo que a Bíblia começa em Gênesis 1:1. Há muita discussão em qual seria a tradução mais adequada da palavra grega Logos, nas versões mais usadas em português ela foi traduzida como Verbo, na NVI foi traduzida como Palavra. Considerando muitas outras coisas na Bíblia como um todo e em especial no Evangelho segundo João, a tradução Palavra é bem adequada. Nossa palavra de certo modo é sempre um modo de revelação, afinal a boca fala do que está cheio o coração (ver Mateus 12:34). A Revelação é o único modo de conhecermos a Deus, não poderíamos conhecê-lo se Ele não se revelasse a nós. Só podemos conhecer qualquer coisa porque Deus se revelou a nós. Com tudo isso em mente podemos compreender que Cristo é a mais perfeita Revelação de Deus. “Havendo Deus, outrora falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, nestes últimos dias, nos Falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1:1-2). Por isso Cristo fala desse modo com Filipe “Replicou-lhe Filipe: Senhor mostra nos o Pai e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:8-9).   

Autor: Ivan Junior

13 janeiro 2013

A segunda beatitude - Arthur W. Pink



Bem-aventurado os que choram, porque serão consolados” [1] [2] [3]
Mateus 5.4
O pranto é detestável e penoso para a pobre natureza humana. Do sofrimento e da tristeza nossos espíritos instintivamente se afastam. Por natureza nós procuramos a sociedade dos alegres e jubilosos. Nosso texto apresenta uma anomalia ao não regenerado, além de uma doce música aos ouvidos do eleito de Deus. Se “bem-aventurado” porque eles “choram”? Se eles “choram” como eles podem ser “bem -aventurados”? Somente o filho de Deus tem a chave para esse paradoxo. Quanto mais nós ponderamos em nosso texto mais nós somos constrangidos a exclamar, “Jamais alguém falou como este homem[4] Bem-aventurado [felizes] os que choram é um aforismo que está em completa variância com a lógica do mundo. O homem tem em todos os lugares e em todas as épocas considerado o prospero e alegre como feliz, mas Cristo pronuncia alegres aqueles que são pobres em espírito e que choram.

Agora é óbvio que não e toda espécie de choro que o texto se refere aqui. Há uma “tristeza do mundo que produz morte” (2 Coríntios 7.10). O choro o qual Cristo promete conforto deve ser restrito ao que é espiritual. O choro que é abençoado é o resultado da percepção da santidade e bondade de Deus que brota em um senso de depravação de nossas naturezas e uma enorme culpa de nossa conduta. O choro o qual Cristo promete Divino conforto é um choro por nossos pecados com uma tristeza piedosa.
As oito beatitudes são arranjadas em quatro pares. Prova disso será fornecida conforme nós prosseguirmos. A primeira das series é a benção que Cristo pronuncia sobre aqueles que são pobres em espírito, o qual nós tomamos como uma descrição daqueles despertados com um senso de seu próprio vazio e insignificância. Agora a transição da tal pobreza ao choro é fácil deduzir. Na realidade, 0 choro segue tão próximo daquilo que é de verdade o acompanhante da pobreza.
O choro que é aqui referido é mais que uma manifestação de privação, aflição, ou perda. É o choro pelo pecado.
É o lamento por sentir a pobreza de nosso estado espiritual, e pelas iniquidades que nos separaram de Deus, lamento pela muito pobre moralidade na qual nos orgulhávamos, e na justiça própria em qual nos confiávamos; lamento pela rebelião contra Deus, e hostilidade a Sua vontade; e tal choro sempre caminha lado a lado com a pobreza de espírito (Dr. Pierson).
Uma notável ilustração e exemplificação do espírito sobre o qual o Salvador pronunciou essa bem-aventurança é encontrada em Lucas 18.9-14. Há um vivido contraste o qual é apresentado a nossa visão. Primeiro, nos é mostrado um hipócrita fariseu olhando para Deus e dizendo “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”. Isso pode tudo ser verdade como ele observou, porém esse homem desceu para sua casa em um estado de condenação. Suas roupas finas eram trapos, suas vestes brancas eram imundas, embora nos não o conheçamos. Então nos é mostrado o publicano, ficava longe, na linguagem do Salmista, ele estava tão perturbado com suas iniquidades que ele não era capaz de ver (Salmo 40.12). Ele ousava não levantar seus olhos ao céu, mas batia em seu peito. Consciente da fonte de corrupção no seu interior, ele clamou “Ó Deus tenha misericórdia de mim, pecador!” (ACF[5]). Esse homem desceu a sua casa justificado, porque ele era pobre em espírito e chorou por seus pecados.
Aqui, então, são as primeiras marcas de nascimento dos filhos de Deus. Aquele que nunca venho a ser pobre em espírito e que nunca soube o que é realmente chorar pelos pecados, ainda que pertença a uma igreja ou seja um oficial nela, ele nem viu nem entrou no Reino de Deus. Quão agradecido o leitor Cristão deve ser ao grande Deus condescender em habitar no humilde e contrito coração! Essa é a maravilhosa promessa feita por Deus mesmo no Velho Testamento (por Ele, em cuja a visão dos céus não é pura, que não pode-se encontrar em qualquer templo que o homem tenha construído para Ele, por mais Maravilhoso que seja, um lugar próprio para Sua habitação – veja Isaías 57.15 e 66.2)
Bem aventurado os que choram” Embora a referência primária seja ao choro inicial comumente chamado de convicção do pecado, ele não é de modo nenhum limitado a isso.  Choro é sempre uma característica do estado cristão normal. Há muita coisa que o crente tem de lamentar. A praga de seu próprio coração o faz chorar, “Desventurado homem que eu sou” (Romanos 7.24). A incredulidade que “tão de perto nos rodeia” (Hebreus 12.1 - ACF) e pecados que nós cometemos, os quais são mais numerosos que os cabelos de nossa cabeça, são uma contínua tristeza para nós. A esterilidade e inutilidade de nossas vidas faz-nos suspirar e chorar. Nossa propensão a desviar-se de Cristo, nossa falta de comunhão com Ele, e a superficialidade de nosso amor por Ele leva-nos a pendurar nossas harpas no salgueiro[6]. Mas há muitas outras causas para chorar que assaltam os corações cristãos: em cada palmo a religião hipócrita que tem forma de piedade enquanto nega o poder dela (2 Timóteo 3.5); a terrível desonra feita a verdade de Deus por falsas doutrinas ensinadas em incontáveis púlpitos; as divisões entre o povo do Senhor; e contenda entre irmãos.  A combinação dessas fornece ocasião para um continuo lamento do coração. A terrível perversidade no mundo, o desprezo por Cristo, os incalculáveis sofrimentos humanos fazem nos gemer com nós mesmos. Quanto mais perto o cristão vive de Deus, mais ele lamenta tudo que O desonra. Isso é uma experiência comum do verdadeiro povo de Deus. (Salmo 119.53, Jeremias 13.17; 14.17; Eze 9.4).
serão consolados” Por essa palavras Cristo se refere primeiramente a remoção da culpa que sobrecarrega a consciência. Isso é efetuado pela aplicação do evangelho da Graça de Deus pelo Espírito aquele que foi convicto de sua necessidade terrível de um Salvador. O resultado é um senso de liberdade e total perdão pelos méritos do sangue expiatório de Cristo. Esse Divino conforto é “a paz de Deus, que excede todo entendimento” (Filipenses 4.7), preenchendo o coração daquele que esta agora seguro que ele é “aceito no Amado” (Efésios 1.6[7]). Deus fere antes de curar, e humilha antes d'Ele exaltar. Primeiro há uma revelação de Sua justiça e santidade, então ele faz conhecida Sua misericórdia e graça.
As palavras “serão consolados” também recebem um constante cumprimento na experiência do Cristão. Embora ele chore suas falhas inexcusáveis e as confesse a Deus, contudo ele é confortado pela garantia que o sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, o limpa se todo pecado (1 João 1.7). Embora ele gema pela desonra feita a Deus por todos os lados, porém ele é confortado pelo conhecimento que o dia esta rapidamente se aproximando quando Satanás será lançado no inferno para sempre e os santos irão reinar com o Senhor Jesus nos “novos céus, e nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pedro 3.13). Embora a mão corretiva do Senhor esteja frequentemente colocada sobre ele e embora “toda disciplina, com efeito, no momento não pareça ser motivo de alegria, mas de tristeza” (Hebreus 12.11), ainda assim, ele é consolado pela percepção que isso tudo esta trabalhando para ele “eterno peso de glória acima de toda comparação” (2 Coríntios 4.17). Como o Apóstolo Paulo, o crente que está em comunhão com o Senhor pode dizer, “entristecido, mas sempre alegre” (2 Coríntios 6.10). Ele pode frequentemente ser chamado para beber das amargas águas de Mara[8], mas Deus plantou próximo uma árvore para adoçá-las. Sim, pesarosos cristãos são confortados mesmo agora pelo Divino Consolador: pelas ministrações de Seus servos, pelas palavras encorajadoras de companheiros cristãos, e (quando essas coisas não estão à mão) pelas preciosas promessas da Palavra sendo trazidas para casa pelo poder do Espírito nos seus corações de fora dos depósitos de suas memórias.
Serão consolados” O melhor vinho é reservado para o fim. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5 ACF). Durante a longa noite de sua ausência, crentes foram chamados a companhia com Ele que foi o Homem de Dores. Mas está escrito, “se com Ele sofremos, com Ele também seremos glorificados” (Romanos 8.17). Que conforto e alegria será nossa, quando despontar a manhã sem nuvens! Então “deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35.10). Então serão cumpridas as palavras da grande voz celestial em Apocalipse 21.3, 4 (ACF): “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
Autor: Arthur W. Pink
Tradução: Ivan Carlos Parecy Junior
Original: Aqui



[1] Você pode ler a primeira beatitude nesse link: http://www.monergismo.com/textos/comentarios/1_beatitude_pink.htm
[2] Salvo indicação em contrário as citações bíblicas são da versão Almeida Revista e Atualizada.
[3] Originalmente não há notas de rodapé, essas foram adicionadas pelo tradutor para facilitar o entendimento do leitor.
[4] João 7.46.
[5] Quando for usada a sigla ACF, a versão utilizada foi a Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
[6] Para maior entendimento da expressão veja o Salmo 137.
[7] Nesse caso fiz tradução direta da versão usada pelo autor a King James.
[8] Veja Êxodo 15.22-27

04 janeiro 2013

Firmes - Jay Adams




Eu suponho que seja uma falha. Tenho certeza que minha esposa que se lembra de cada nome, lugar, e data dos últimos cinco anos. Acho que lembra. Mas, por alguma razão, eu acho difícil lembrar detalhes do passado. Se eu disser à mim mesmo, num momento: "Lembre isto" ,eu provavelmente lembrarei. Caso contrário, somente os grandes fatos permanecem na minha peneira mental. Eu estou dizendo isto porque eu quero que você entenda que esse fenômeno não é resultado da idade avançada - Eu sempre fui assim. Porém, eu também sempre olhei para o futuro. E isso é exatamente o que eu quero fazer aqui.

Como um velhote de 79 anos, eu quero fazer uma previsão sobre o que você encontrará no futuro e como lidar com isso. Estou pensando, principalmente em você, a nova geração, que está agora a tomar o leme da igreja em mares tempestuosos. Não me vejo como um profeta, mas existem coisas que são inevitáveis - aparte de uma grande intervenção divina, do curso que o mundo está agora seguindo.
Para começar, se você não fala, você seria sábio em aprender espanhol[1]. De importância maior, você deveria familiarizar-se com os princípios do Islã. O primeiro, porque você provavelmente precisará. O segundo porque se Deus não intervir você estará lutando numa guerra contra Muçulmanos. Nenhum Cristão deveria viver, de modo a evitar esses assuntos. Mas eu não quero discuti-los diretamente.
Minha preocupação é com o abrandamento da igreja. Pra você fazer um impacto futuro por Cristo, e ser capaz de suportar tempos difíceis futuramente, essa tendência deverá ser revertida. Há um abrandamento deplorável de doutrina, de atitudes, de coragem e do linguajar. E isso tudo é justificável pela rubrica do "amor". Mas há uma vasta diferença entre amar e um espírito concessivo. Vamos examinar cada um.
Há um abrandamento na doutrina. Não é somente óbvia a falha em aceitar e ensinar as verdades fundamentais da reforma, mas há também uma excitação por parte daqueles que acreditam, em expô-las abertamente. Cristãos subestimam as gloriosas doutrinas da graça. Ao invés de se regozijarem na doutrina da expiação limitada[2] - a qual significa que Jesus Cristo é um salvador pessoal - eles conversam somente sobre os outros quatro pontos do TULIP[3]. É como se eles fossem comer duas fatias de pão, eles comem o tomate cuidadosamente numa fatia, e a alface na outra, mas rejeitam o hambúrguer entre os dois. Essa doutrina é a carne da Tulip-Burguer. Para encarar o futuro, é necessário haver um retorno decisivo à explícita e fundamental exposição das "duras" doutrinas da fé.
Há um abrandamento de atitudes. Em grande parte, isso explica a suavidade no ensino. Ao invés de regozijarem-se no grande e eterno plano de Deus da redenção diante dos amigos arminianos, eles titubeiam e gaguejam, procurando manter um bom relacionamento acima de tudo. Supondo que suas consciências não estejam cauterizadas, eles trazem um senso de culpa, por saberem que deveriam defender a verdade contra este ensino fraco e antibíblico que exalta o homem e diminui o poder de Deus. No entanto, para manterem a "paz", eles se mantêm calados.
Há um abrandamento da coragem. Obviamente, isso está por trás da atitude temerosa que conduz os crentes reformados a suprimirem sua fé. Ao longo do livro de Atos percebemos que uma palavra aparece repetidas vezes - Os apóstolos falaram "Corajosamente". Há duas palavras para coragem no Novo Testamento. Em Atos é "Parresia", que significa "falar sem rodeio, sem medo das consequências." A coragem de agir dessa maneira, poderia também ser responsável por grande parte da inefetividade do testemunho da igreja em nossos dias.
Há um abrandamento no linguajar. Um modo de falar covarde que produz fraqueza, uma linguagem insípida, por exemplo, "Eu sinto", ao invés de dizer: "Eu creio" ou "Declaro". Eles fazem uma conversa mole sobre "compartilhar" o Evangelho - Como quando alguém está relutante em doar a totalidade de alguma coisa. ( Se eu "compartilhar" minha torta, você pega só um pedaço).
Se esse abrandamento da igreja continuar, haverão mais grupos que se preocupam menos com a verdade e mais com a comunhão. Mas uma igreja que coloca a camaradagem acima da verdade é uma igreja fraca, que será incapaz de enfrentar os desafios à frente.
É tarde demais para nossa geração corrigir essas questões. Alguns de nós tentaram, mas falharam. Devemos confessar que estamos deixando uma igreja que a menos que Deus intervenha graciosamente, não poderá enfrentar os enormes desafios que essa próxima geração deverá enfrentar. Talvez Deus usará você para ajudar a fazer as mudanças necessárias, antes que seja tarde demais. Olhe ao seu redor. Pergunte a si mesmo: "Será que a igreja no seu estado atual conseguiria suportar uma perseguição terrorista? Poderia suportar uma onda de catolicismo romano que pode no tempo, - na geração de vocês - tomar conta do país? Em sua confusão, fraqueza, ela seria uma presa fácil para esses ou outros acontecimentos. Não leve em conta apenas por que eu disse - vá em frente, abra seus olhos espirituais. O que você vê?
Você contribuirá para uma suavização maior ou você permanecerá firme e valente pela verdade?  Não estou sugerindo crueldade ou grosseria, mas estou defendendo mudanças drásticas para firmar as quatro áreas mencionadas acima. Participe da solução ao invés de perpetuar o problema!
Autor: Jay Adams
Original: Aqui
Tradução: Rafael Costa Ferreira
Revisão: Ivan Junior




[1] O autor é americano, por isso a recomendação do espanhol e não do inglês.
[3] Refere-se aos chamados cinco pontos do calvinismo. Veja: http://restaurandoamente.blogspot.com.br/2012/07/salvacao-uma-obra-de-deus-somente.html

01 janeiro 2013

Criado em Cristo Jesus para boas obras - Andrew Murray



Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.  Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.’ (Efésios 2:8-10)

Nós fomos salvos não de obras, mas para boas obras. Quão grande a diferença. Quão essencial a compreensão dessa diferença a saúde da vida cristã. Não de obras que nós tenhamos feito, como a fonte de onde nossa salvação vem, nós fomos salvos. E ainda para boas obras, como o fruto e efeito da salvação. Como parte do trabalho de Deus em nós, a única coisa para qual nós fomos criados novamente. Tão inútil são nossas obras em procurar Salvação, tão infinita é o valor do trabalho que Deus criou e preparou para nós. Vamos procurar manter essas duas verdades na plenitude dos seus significados espirituais. Quanto mais profunda nossa convicção que nós fomos salvos, não de obras, mas pela graça, mais forte a prova que nós fomos realmente salvos para as boas obras.

 ‘Não de obras, pois somos feituras dele’ Se as obras não podem nos salvar, não havia necessidade delas para nossa redenção. Porque nossas obras são todas vãs e pecaminosas, Deus encarregou-se de nos fazer de novo, nós somos agora feitura dele, e todas as boas obras que fazemos são feitura dele também. ‘feituras dele, criados em Cristo Jesus’. Tão completa foi a ruína do pecado, que Deus teve que fazer o trabalho da criação novamente em Cristo Jesus. Nele, e especialmente em Sua ressureição dos mortos, Ele criou-nos novamente, segundo Sua própria imagem, na semelhança da vida que Cristo viveu. No poder da vida e da ressureição, nós somos aptos, somos perfeitamente equipados, para fazer boas obras. Como o olho, porque ele foi criado para a luz, é mais perfeitamente adaptado para esse trabalho. Como o ramo de videiras, como ele foi criado para carregar cachos de uvas, faz esse trabalho tão naturalmente, nós que fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, podemos descansar seguros que a capacidade Divina para boas obras é a lei própria do nosso ser. Se nós conhecemos e cremos nesse nosso destino, se nós somente vivermos nossa vida em Cristo Jesus, como nós fomos novamente criados n’Ele, nós podemos, nós seremos frutíferos em toda boa obra.

Criado para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas’ Nós fomos preparados para as obras, e as obras preparadas para nós. Para entender isso, pense como Deus pré-ordenou Seus antigos servos, Moisés e Josué, Samuel e Davi, Pedro e Paulo, para o trabalho que ele tinha para eles, e igualmente pré-ordenou o trabalho para eles. O mais fraco membro do corpo, é igualmente cuidado como o mais honrado, o Pai preparou o trabalho do mais humilde de Seus filhos, tanto como para aqueles que são contados como chefes. Para cada filho Deus tem um plano de vida, com o trabalho distribuído exatamente de acordo com a capacidade, e graça fornecida exatamente de acordo com o trabalho.  E assim tão forte e claro como o ensino, salvação não de obras, e sua abençoada contrapartida, salvação para boas obras, porque Deus nos criou para elas, e mesmo as preparou para nós.

E então a escritura confirma a lição dupla que esse pequeno livro deseja lhe trazer. Uma, que as boas obras são o objetivo na nova vida que Ele te deu, e devem, portanto, ser distintivamente seu objetivo. Como cada ser humano foi criado para trabalhar, e dotado com as capacidades necessárias, e só pode viver de modo saudável e verdadeiro pelo trabalho, assim cada crente existe para fazer boas obras, que nelas sua vida pode ser aperfeiçoada, seus próximos podem ser abençoados, seu Pai no céu ser glorificado. Nós educamos todos os nossos filhos com o pensamento de que eles devem ter seus trabalhos no mundo: Quando a igreja irá aprender que é seu grande trabalho treinar cada crente fazer sua parte no grande trabalho de Deus, e abundar nas boas obras para as quais ele foi criado? Vamos cada um de nós procurarmos compreender a profunda verdade espiritual da mensagem ‘Criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou’ para cada um, e as quais estão esperando cada um assumir e cumprir.

A outra lição – que esperar em Deus é uma grande coisa necessária da nossa parte se nós fizéssemos as boas obras as quais Deus preparou para nós. Vamos assumir em nossos corações essas palavras em seu significado divino: ‘Somos feitura dele’ Não por um ato no passado, mas em uma operação contínua. Nós somos criados para boas obras, como grande meio de glorificar Deus. As boas obras são preparadas para cada um de nós, para que nós possamos andar nelas. Render-se e dependência ao trabalho de Deus é nossa única necessidade. Vamos considerar como nossa nova criação para boas obras é totalmente em Cristo Jesus, e permanente n’Ele, crendo n’Ele, e olhando para a Força d’Ele somente, tornar-se o hábito de nossa alma. Criado para boas obras! Revelará a nós imediatamente o mandato Divino e a capacidade suficiente para viver uma vida de boas obras.

Vamos orar para que o Espírito Santo trabalhe a Palavra no mais fundo de nossa consciência: Criado em Cristo Jesus para boas obras! Nessa luz nós aprenderemos que um glorioso destino, que uma obrigação infinita, que uma capacidade perfeita é nossa.

1. Nossa criação em Adão foi para boas obras. Resultou no fracasso total. Nossa nova criação em Cristo é para boas obras também. Mas com essa diferença: provisão perfeita foi feita para assegurá-las.

2. Criados por Deus para boas obras; criados por Deus em Cristo Jesus; as boas obras preparadas por Deus para nós – vamos orar para que o Espírito Santo nos mostre e conceda o que tudo isso significa.

3. Deixe a vida em comunhão com Deus ser verdadeira, a capacidade para o trabalho será certa. Como a vida é assim o trabalho.

MURRAY, A. Working for God! Grand Rapids, MI. Christian Classics Ethereal Library. P.20-21

Original: Aqui

Autor: Andrew Murray

Tradução: Ivan Junior

24 dezembro 2012

Pregação – Como agir quando quem age mal é que se dá bem?


Texto Base – Salmo 73

Como agir quando vemos aqueles que são desonestos, mentirosos prosperando? Como agir quando vemos pessoas que desprezam a Deus se dando bem? Como nos sentimos quando aquela pessoa que mente e fofoca no trabalho é promovida enquanto quem realmente trabalha não é recompensado? Como nos sentimos se formos mal na prova que estudamos e aquele teu colega que foi na balada na noite anterior fez a prova de ressaca, colou e tirou uma nota maior do que a sua? Como agir quando aparentemente o bem não compensa?

Há em cada um de nós um senso de justiça, mesmo aqueles a que não tem conhecimento da lei de Deus “tem a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seu pensamentos , mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Romanos 2.15), ou seja temos uma consciência que nos faz clamar por justiça, ninguém gosta de ver alguém que seja comprovadamente um criminoso andando solto nas ruas, torcemos para que a justiça seja feita.
Porém muitas vezes vemos pessoas que fazem constantemente coisas erradas e que mesmo assim prosperam, por causa desse senso de justiça isso nos incomoda, isso também incomodou Asafe, e com ele iremos aprender a lidar com isso.
No hebraico o livro de Salmos é chamado de “louvores”  ou “Livro de louvores”. O nome Salmos vem da tradução grega do AT, a septuaginta.  O verbo grego de qual vem a palavra Salmos significa algo como vibração de cordas. O livro de Salmos é o hinário inspirado do Antigo Israel (e deveria ser base para nossas músicas também). O livro de Salmos também o livro do AT mais citado no NT.
O livro de salmos é portanto  uma coleção de canções do povo de Israel, eles nos mostram que o Povo de Israel são como os cristãos, nos ensinam que não há tanta diferença entre o verdadeiro judeu do AT e o verdadeiro cristão do novo, eles expressam sentimentos dos judeus que nos falam do relacionamento deles com Deus e olhando para eles podemos perceber que não somos tão diferentes assim.
Os 150 salmos são organizados em 5 livros os quais terminam com uma doxologia (veja Salmo 72.18-20), e esse além de ser o primeiro salmo do terceiro Livro, também é o primeiro de 11 salmos de Asafe.
Asafe inicia o Salmo com uma conclusão, depois dessa conclusão ele nos relata o que ele chegou a pensar no passado, mas agora ele não pensa mais desse modo, é como Asafe nos dissesse, “Sim, Deus é bom para com Israel, os de coração puro (o verdadeiro Israel), porém eu nem sempre pensei assim” Assim, Asafe começa a falar de um período em que por pouco ele não se desviou, um período no qual por pouco ele não caiu.
Asafe nos conta que invejava a prosperidade dos perversos, e então nos fala sobre a Imagem que ele tinha dos perversos.  Despreocupados, saudáveis, não se cansam ou se afligem, soberbos e violentos. “Os olhos saltam-lhes da gordura” isso pode estar ligado a cobiça, pela tradução que vemos da segunda sentença do versículo na Almeida Corrigida e revisada fiel “eles têm mais do que o coração podia desejar” (Salmos 73.7 ACF) Ou pode se referir como em outras versões apenas como a maldade no coração deles. Apesar de tudo isso assim, os perversos ainda falam contra Deus e usam sua língua para conquistar os homens, pelo que vemos no versículo 10 que podemos compreender que eles são populares “seu povo se volta para eles e bebem suas palavras até saciar-se” (Salmos 73.10 NVI). O povo se volta para eles no sentido de compartilharem do mesmo pensamento. Em tudo isso os perversos chegam a questionar a onisciência de Deus. “Como sabe Deus? Acaso há conhecimento no altíssimo?”(v.11). O salmo 36 nos fala que a transgressão diz ao ímpio “que a sua iniquidade não há de ser descoberta nem detestada” ele tem a ilusão de que Deus não saberá disso. No verso 12 Asafe conclui a imagem dos ímpios, é como se ele dissesse “assim são os ímpios e continuam enriquecendo”.
A Partir do verso 13 Asafe passa a falar dele, ele pensava do que adianta me manter justo se sou castigado. Vejamos que Asafe traça um contraste, os ímpios que fazem o mal e se dão bem, e ele que busca fazer o certo e se dá mal. Porém Asafe reconhece que agindo desse modo, passando pro lado dos ímpios ele teria traído o seu povo, lembremos que no verso 2 Asafe nos disse que quase escorregou, o que nos mostra que não devemos usar o exemplo de Asafe para justificar-nos quando nos sentimos assim visto que ele mesmo admite que estava errado.  Pensar sobre isso era uma tarefa pesada para Asafe, até que ele buscou em Deus e lá pode aprender aquilo que era difícil para ele.
Depois Asafe volta a falar sobre os ímpios, mas depois do aprendizado que ele teve do Senhor, o que Asafe nos diz é “isso certamente não ficará assim” como diz Davi no Salmo 37, falando sobre os ímpios “eles em breve definharão como a relva e murcharão como a Erva verde” (Salmo 37.2). Tu os colocas em lugares escorregadios, ou seja eles estão andando em um terreno perigoso e em breve irão cair. Compreendendo isso sobre os ímpios Asafe admite que quando pensava diferente ele era embrutecido, ignorante, irracional.
Asafe também mudou a perspectiva que ele tinha dele mesmo, e eu ainda que seja afligido tenho a Deus, ainda que eu desfaleça Deus é a minha fortaleza, ele é minha herança. O que importa é estar com Ele. Deus é suficiente.
Asafe termina concluindo o que ele aprendeu sobre os ímpios, serão destruídos e sobre ele que o bom era estar com Deus e proclamar os seus feitos.
O exemplo de Asafe nos ensina três coisas sobre como agir quando quem faz o mal é que se dá bem, quando parece que o bem não compensa.
1. Buscar as respostas em Deus e não em si mesmo. Asafe diz que era uma tarefa pesada refletir para compreender isso. Quando compreendemos que devemos buscar a resposta em Deus isso não significa ficar meditando esperando ouvir uma voz na nossa mente, não que não possam acontecer coisas assim. “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem.”(Deuteronômio 29.29) Deus se revelou através de sua palavra e nela devemos buscar respostas quando as coisas nos intrigam. “Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento” (Provérbios 2.6). A perspectiva da Asafe só mudou quando ele buscou no Senhor as respostas, Cristo é a verdadeira luz (ver João 1.9) que nos impede de tatearmos no escuro, Ele se tornou da parte de Deus sabedoria (ver 1 Coríntios 1.30), Cristo nos diz “tudo quanto ouvi do meu Pai vos tenho dado a conhecer” (João 15.15b). Portanto somente nele podemos ter o verdadeiro conhecimento e encontrar as respostas para momentos difíceis. Foi buscar as respostas em Deus que evitou que Asafe escorregasse.
2. Compreender que Deus é justo– isso foi uma das coisas que Asafe pode aprender de Deus, “Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça.”(Salmo 11.7) “Justo és, SENHOR, e retos, os teus juízos.” (Salmo 119.137). No Salmo 37 Davi também lida com a questão da prosperidade dos perversos, e também demonstra essa confiança na justiça de Deus. “Os ímpios arrancam da espada e distendem o arco para abater o pobre e o necessitado, para matar o que trilha o reto caminho. A sua espada porém lhes transpassará o próprio coração, e os seus arcos serão espedaçados.” (Salmo 37 v.14-15). Mas é importante aprender também a esperar a justiça de Deus, “porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus.”(Gênesis 15.16) As vezes é como se Deus esperasse para manifestar sua justiça. Asafe aprendeu que tem de esperar por esse dia “o SENHOR ao despertares, desprezarás a imagem deles” (v.20). É por isso que Davi nos diz “Espera no SENHOR” (Salmo 37.34).
3. Aprender que Deus é o suficiente – você já parou para pensar que tolice seria você morar em uma mansão e ver um mendigo na porta da sua casa comendo do lixo e pensar “a eu aqui comendo lagosta e esse mendigo comendo esse apetitoso lixo fresco”. Quando Asafe tinha inveja dos arrogantes era desse modo que ele agia. Asafe percebeu que estar com Deus era o suficiente, de certo modo a única coisa que realmente importa, ou seja, ainda que os ímpios prosperassem era como ele estivesse comendo comida fina e os ímpios comendo lixo, ou talvez possamos falar como Paulo e usar o termo esterco. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu SENHOR; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como ‘esterco’ para ganhar a Cristo” (Filipenses 2.8 – no original a palavra é esterco mesmo). Se diante de Deus tudo é esterco como posso querer outra coisa. “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmo 73.26). “Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no teu templo” (Salmo 27.4). O maior presente da salvação não é se livrar do inferno, mas reconciliar-se com Deus “que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” (2 Coríntios 5.18). O pecado trouxe separação entre homem e Deus, a recompensa da Salvação é se reconciliar com Deus. O mais importante no céu é a presença de Deus. “Então já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 22.5).
Aplicação
Aprender que Deus é justo pode ser uma boa ou má notícia para você, depende de que lado você está. Se você tem aprendido que estar com Deus é suficiente, tem prazer em servi-lo e se entristece de suas falhas, se você “pode ser achado em Cristo, não tendo justiça própria que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus baseada na fé;” (Filipenses 3.9) você tem motivos para se alegrar de lembrar que habitará na “casa do SENHOR todos os dias” (Salmo 27.4) durante toda eternidade.
Porém, se você também ouve a voz da tua transgressão em vão se enganando pensando que Deus não sabe, lembre que “o SENHOR ao despertares, desprezarás a TUA imagem” que “Deus destrói todos os que são infiéis para com ele”. Talvez você se pergunte, onde posso me refugiar, lembremos que Asafe disse que “No SENHOR Deus ponho o meu refúgio” (Salmo 73.28). Porém há um problema: como pode haver comunhão entre um Deus santo e um perverso como você? Lembremos que Ele é justo. A maior manifestação da justiça de Deus foi a cruz, nela o pecado do povo de Deus foi expiado de modo que pela fé em Cristo você pode se refugiar em Deus. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pedro 3.18). Pelo sacrifício de Cristo somos reconduzidos a Deus, e podemos n’Ele nos refugiar.
Que o Senhor Nosso Deus possa abençoar todos nós para que possamos nos refugiar n’Ele, pelo sacrifício d’Ele e para Glória d’Ele.
Autor: Ivan Junior

21 dezembro 2012

O Cristão e o sofrimento - Vincent Cheung



Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.      
(Tiago 1:2-4)[1]

Conforme Paulo escreveu em sua epístola aos Filipenses, ele considerou a expectativa de morte e disse “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).Se alguém pensa desse modo depende de quem ele é e do que ele valoriza. Ele era um cristão, de modo que para ele viver era servir a Cristo, e morrer era estar com Cristo. Embora ele estivesse ardente para servir a Cristo pela pregação do Evangelho e fortalecimento da Igreja, ele preferia muito mais a morte do corpo, de modo que sua alma pudesse ascender a Cristo. Ele era um cristão, desse modo ele tinha um relacionamento com Cristo. E ele valorizava a Cristo, de modo que ele valorizava a presença do Senhor acima de tudo.
Certamente esse é o modo correto de ver as coisas. Quando um cristão fracassa em pensar desse jeito, é porque a mente dele ainda não foi renovada. Ele precisa ser ensinado, não somente pelos homens, mas pelo Senhor. E ele pode ser ensinado porque a vida de Deus está nele. Mas um não cristão não pode fazer isso de qualquer modo, pelo o que ele é e o que ele valoriza. Ele é um não cristão, portanto ele não tem uma relação pacífica com Deus, e invés de considerar Cristo em alta estima, ele valoriza a indulgência da carne, e outros desejos e expectativas abomináveis.
O cristão compreende o valor do sofrimento. Agora não há valor no sofrimento em si. Algumas pessoas sofrem e se tornam cruéis. Algumas pessoas sofrem e blasfemam contra Deus. Sofrimento é construtivo somente quando é o tratamento de uma pessoa por Deus de uma maneira amorosa, para o propósito de treinamento e disciplina. Em outras palavras, sofrimento em si é sem significado, e é destrutivo aos réprobos. De outro modo, sofrimento fornece a ocasião para cristãos reconsiderarem seus caminhos, para fortalecer sua fé, para reacender sua compaixão, para renovar sua determinação para superar suas distrações e tentações, e expressar sua dependência de Deus pelo louvor e persistentes petições. Ele fornece ocasião para eles reavaliarem seus hábitos e suas prioridades, e abandonar todo peso que os embaraça.
Tiago escreve que deveríamos nos regozijar quando nós encontramos diferentes tipos de dificuldade, porque o teste de nossa fé desenvolve perseverança, que por sua vez é capaz de levar-nos a ser maduros e íntegros. Isso só pode se aplicar a cristãos, porque somente cristãos tem fé a ser testada em primeiro lugar. E somente cristãos irão desenvolver perseverança e outros frutos do Espírito quando sua fé é testada. Os estudantes de Cristo podem se regozijar quando encontram dificuldades porque eles querem desenvolver perseverança, eles querem se tornar maduros e íntegros. Quem nós somos e o que nós valorizamos nos distingue, e capacita-nos a encarar dificuldades com a atitude correta e se beneficiar do sofrimento.
Jó disse a respeito de sua provação “se me puser a prova, aparecerei como ouro” (Jó 23.10). Isso é apropriado em um tempo de fome, porque ouro é o que as pessoas não têm, em primeiro lugar. Jó estava em uma pobre condição, mas ele reconhecia um tesouro maior. Que benção é ter nossa fé refinada e purificada. Que benção é ter nossa fraqueza exposta e removida. Que benção é saber onde estamos com Deus, e de que estamos com Deus. Que benção é ganhar auto compreensão, para perceber onde nos iludimos sobre a grandeza de nossa fé, se nós de fato temos nos iludido, mas também obter a garantia que há uma fundação genuína, que Deus esta de fato trabalhando em nossos corações, do mesmo modo que lutamos, nós suportamos e nos tornamos mais fortes por causa disso.
Autor: Vincent Cheung
Fonte: CHEUNG, Vincent.  Faithful in famine, p. 11-12.
Original: Aqui
Tradução: Ivan Junior


[1] NT: Todas as citações bíblicas dessa postagem são da Nova versão internacional.

17 dezembro 2012

Uma só carne - Jay Adams


Os liberais possuem um jeito de renomear às coisas para torná-las aceitáveis.  Quando o ex-Presidente Clinton cometeu adultério ele chamou isso de um “engano”. É claro, foi pecado. Todos sabem que as palavras “escolha” e “feto” têm sido usadas para justificar assassinato. Recentemente, influentes autores politicamente corretos cunharam a frase “casamento de pessoas do mesmo sexo”. No entanto, de uma perspectiva bíblica, um nome adequado para essa atividade seria “homossexualidade legalizada.”.

Independentemente da tentativa de parceiros do mesmo sexo de justificar o “casamento” ao declararem em uma cerimônia que eles serão fieis um ao outro, Deus não irá perdoar ou aceitar os atos deles – mesmo se o estado eventualmente o faça. De fato, fazer votos para permanecer em tal relacionamento pecaminoso somente agrava a situação. Além disso, a igreja do Senhor Jesus Cristo nunca deve participar nem promover a legalização da homossexualidade. “Ministros” que o fazem seja por boa-vontade ou por coerção (caso venha chegar a isso) desse modo desqualificam a si mesmos como servos de Jesus Cristo. Em contraste, é nosso dever e alegria afirmar a visão bíblica do casamento – a união de uma mulher e um homem. Na Bíblia, vários fatos são claros: Foi o próprio Deus que uniu um homem e uma mulher em casamento (Gen. 2:22). Casamento, portanto, é uma instituição divina , não humana (Mat. 19:6). Consequentemente, Deus, não o homem, tem o direito de definir os termos da instituição.
E, como em outros artigos nessa edição do Tabletalk[1] vão deixar claro, homossexualidade e lesbianismo não são “naturais” (Rom. 1:6, 27). Quando Paulo usa a palavra phusis, para simbolizar aquilo que é contrario a “natureza”, ele fala de um ato que é contrário a criação – contrário ao modo do qual Deus designou os seres humanos para funcionarem sexualmente.
Não é como se os cristãos rebaixassem ou se opusessem a atividade sexual. Muito pelo contrário. Quando, dentro dos laços do casamento piedoso, o casal se compromete propriamente nas atividades sexuais, o leito conjugal é “despoluído”. De fato, para dissipar falsas, noções assépticas, o escritor dessas palavras urge todos os cristãos que “o casamento deve ser honrado” (Hebreus 13.4 NVI[2]). A visão distorcida que algumas pessoas têm do ensinamento cristão sobre sexualidade levaria você a acreditar que nós pensamos que o diabo, não Deus, foi à fonte dele. Muito pelo contrário, Deus requer a máxima expressão da atividade sexual amorosa, uma expressão que pode ser devidamente iniciada pelo marido ou pela esposa (1 Cor. 7:4-5). E é nessa mesma passagem que Paulo adverte que a falha em satisfazer os desejos sexuais do cônjuge leva a tentação por Satanás. Claramente, então, o casamento piedoso deve ser encorajado em todos os sentidos.
O casamento tem muitos propósitos, um deles é a procriação. Que é um assunto em si. Mas, nesse estudo, de maior importância é o fato que o casamento é para ser uma “realização” em si mesmo – algo que não é possível em um relacionamento homossexual. Na providência de uma parceira de casamento para Adão, Deus disse “far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gen. 2:18). A palavra hebraica traduzida como “idônea” na versão Revista e Atualizada significa literalmente, “que se aproxima a outra coisa.” Se você corta uma laranja[3] perfeitamente em duas, as metades vão se ajustar exatamente quando localizadas em adequada justaposição uma a outra. Mas se você dividir com um corte irregular nenhuma das duas peças irá encaixar com qualquer uma das metades do fruto anteriormente seccionado. São somente aquelas metades que se aproximam exatamente uma da outra que fazem um inteiro adequado. É o conceito de inteireza compartilhada que é inerente na passagem de Gênesis.
Homens e mulheres foram projetados para se tornarem “uma só carne” (Gen. 2:24). Mas não pode haver unidade a parte de um parceiro ou parceira que se tornam acessível um do outro em cada ponto. Essa “unidade” não é para ser pensada como meramente uma união sexual (embora ela certamente inclua isso). Preferencialmente, no pensamento hebreu, o termo “carne” refere-se não somente ao corpo físico, mas também a pessoa inteira. Quando Moisés descreveu a destruição da raça humana inteira (Exceto Noé e sua família), ele descreveu essa catástrofe como “o fim de toda carne”(Gen 6.13 ACF[4]). Certamente, ele se referia a mais que corpos quando usou essa frase. Antes, de um modo similar ao nosso uso da palavra “everybody”[5](Pela qual usamos nos referindo a mais do que carne e ossos), quando ele usa a palavra hebraica “carne” ele quis dizer “pessoa”.  Tornar-se “uma carne,” então, é tornar-se “uma pessoa”. Homens e mulheres cônjuges não somente se ajustam perfeitamente sexualmente, mas a masculinidade e feminilidade “preenche” ou “completa” um ao outro em cada detalhe. Os dois constituem um “inteiro”. Em um casamento adequado, o homem tem a oportunidade de ver o mundo por meio dos olhos femininos de suas esposas, e as mulheres pelos olhos masculinos dos maridos delas. Minha esposa trouxe cortinas de rendas em minha vida, eu trouxe botas sujas de lama na dela (algumas vezes sujando suas cortinas!). Relacionamento entre pessoas do mesmo sexo carece inteiramente de tal visão expandida do mundo.
O que dizer dos solteiros? Ele ou ela devem ter carência dos benefícios dessa perspectiva dos casados para sempre? Talvez, mas Deus compensa isso. Quando Jesus falou da indissolubilidade do casamento, exceto por adultério e deserção, os discípulos (que sem duvida conheciam os ensinamentos do Rabino Hillel de que quase qualquer coisa desagradável poderia constituir base para o divórcio) disse, “Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar.” (Mateus 19.10). Agora, claro, eles casaram de qualquer modo (1 Cor 9.5). Mas, em resposta a resposta precipitada deles, Jesus explicou que nem todo mundo tem a capacidade de viver a vida de solteiros, a qual Ele declarou é somente “aqueles a quem é dado” (Mat 19.11). Claramente, para compensar o fato que “Não é bom que o homem esteja só” (Gên 2.18[6]), Deus concede dons a tais pessoas para “capacitá-las” para um serviço especial,  ministerial completo, no qual Ele espera então que elas o executem. (veja Gen 3.12b; 1 Cor 7.7).
Casamento, desempenhado de um modo escritural, fornece grandes benefícios. É somente necessário ler Efésios 5:21-33 para entender como, em refletir o relacionamento de Cristo e Sua igreja, casamento pode fornecer uma das maiores alegrias possíveis. No que é amor, carinho, relacionamento íntimo, sexo sem restrições e assim por diante. Quanto Deus quer explicar a plenitude da futura glória que nós teremos em união com Cristo, Ele escreve “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.” (Apocalipse 19.7-9)
Para descrever o perfeito, glorioso evento, perceba que Deus usa a metáfora do casamento. A partir disso, nós deveríamos aprender não somente que o casamento é bom e santo, mas que Deus pretende que ele seja uma benção maravilhosa a humanidade. Quão trágico é corromper e manchar seus atributos ao usar a palavra casamento para descrever homossexualidade legalizada! Pela misericórdia, apesar de a homossexualidade ser um modo de vida pecaminoso, e não um problema genético, Paulo torna claro que é possível para um homossexual ser “lavado” de sua contaminação por meio da graça salvadora de Jesus Cristo. Porém, não são somente os incrédulos que são capturados nesse pecado que Deus irá repreender severamente, mas também aqueles Cristãos que falham em exibir e aproveitar tudo que o casamento pode ser. Uma coisa é condenar a homossexualidade; outra  é viver uma vida conjugal que por si só o condena por contraste. E é então, nosso privilégio não somente estabelecer os prazeres dessa maravilhosa instituição ordenada por Deus, mas pelo modo nos quais nós honramos o casamento nós expomos a glória de Deus.
Aqueles que lerão essas palavras são principalmente crentes em Cristo. Se, acidentalmente, alguém que não é parte do Povo d’Ele estiver lendo, deixe me exortá-lo para que entre no  maior relacionamento possível tanto agora como pela eternidade ao tornar-se parte da noiva de Cristo. Essa noiva é Sua igreja, há qual um dia será “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.”(Efésios 5.27). Que transcende até mesmo o sexo (Mateus 22.30).
Autor: Jay Adams é um professor, autor e orador aposentado, que reside em Enoree, Carolina do Sul, EUA.
Tradução: Ivan Junior
Revisão: João Vitorino Franco Filho
Original: Aqui 

Um argumento pedobastista de Paulo - Kevin DeYoung


“Romanos 4.11 E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso;”
Se a circuncisão foi para Abraão um selo da justiça da fé, então nós não podemos dizer que o corte da carne foi simplesmente um marcador de identidade étnica ou um mero sinal de importância física. A circuncisão foi um selo das mais profundas realidades espirituais, um sinal visível do perdão dos pecados e justificação pela fé. Assim como o batismo seria séculos depois.

E se esse sinal espiritual – um selo da justiça que vem pela fé – foi administrado a Abraão e seus filhos pequenos, então nós não podemos dizer que a coisa significada deve sempre estar presente antes de o sinal ser administrado. Isaque foi circuncidado, e Ismael também foi – a ambos foi dado o sinal da justificação somente pela fé antes do exercício da fé. Assim como o batismo infantil.
Então quer o batismo infantil faça sentido para você ou não – e eu respeito profundamente meus amigos não pedobatistas em minha igreja e na igreja em geral – não poderíamos nós ao menos concordar que a importância espiritual básica da circuncisão e do batismo é a mesma, e que há precedência bíblica para administrar um sinal espiritual sem a presença imediata da coisa significada?
Faz sentido para mim.
Autor: Kevin DeYong
Original: Aqui
Tradução: Ivan Junior

14 dezembro 2012

A Criação e a queda do homem


Quando fabricamos alguma coisa, a fabricamos com certo propósito. Se faço um relógio[1], o faço com intuito de que alguém olhe as horas por meio dele, se o relógio para, ele perde a função para qual foi feito e se torna inútil. Para compreendermos o papel do homem, é essencial que entendamos sua criação. Se acreditarmos que o homem, não é nada mais que o produto da evolução[2], não podemos dizer que ele tenha um propósito ou uma função. Portanto, é inevitável que uma sociedade que creia no homem como produto da evolução desdenhe de qualquer tentativa de atribuir papéis diferentes para o homem e a mulher. Uma visão assim, complementarista e não igualitarista[3]seria inconsistente com o evolucionismo.

Mas ao contrário, se cremos na Bíblia, e com isso crermos que o homem foi criado, compreenderemos que ele foi feito com determinados propósitos. Por isso, vamos dar uma olhada nos textos que nos falam sobre a criação do homem e ver o que eles nos ensinam:
 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. (Gênesis 1.26-30)
No primeiro capítulo de Gênesis vemos a criação do homem e da mulher de modo menos específico do que no capítulo 2, ainda assim podemos tirar alguns ensinamentos desse texto.
Primeiro vemos que o homem e a mulher foram criados à Imagem e Semelhança de Deus. Há grande discussão sobre o que isso significa, não entraremos em detalhes aqui, mas podemos fazer algumas considerações sobre isso.
1. O Homem e a mulher são diferentes de todos os outros animais, apenas com eles Deus se comunica, apenas a eles é dada uma lei a ser cumprida e por causa disso só homem e mulher podem pecar;
2. Com Gênesis 9.6[4]e Tiago 3.9[5] em mente compreendemos que apesar de danificada a Imagem de Deus no homem se mantem depois da queda, é essa imagem que faz com que humanos sejam humanos, ou seja o homem não deixou de ser humano depois do pecado;
3. Homem e mulher foram criados a Imagem e semelhança de Deus, isso significa que os dois são iguais em essência, ambos pagam pelos seus erros e ambos podem ser salvos por Cristo (veja Gálatas 3.28[6]).
Além disso, vemos que tanto ao homem quanto a mulher foi dado o que costuma-se chamar de mandato cultural: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” Cabe aos dois a tarefa de domínio sobre a natureza[7], porém como veremos no capítulo dois de Gênesis o modo como os dois farão isso é diferente. Algo que gostaria de salientar aqui é o “multiplicai-vos”, essa é uma função em que homem e a mulher dependem totalmente um do outro[8], isso reforça que apesar de serem em essência iguais, e em função diferentes um necessita do outro.
Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. (Gênesis 2.7)
Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.  Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.  Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. E disse o homem:
Esta, afinal, é osso dos meus ossos
e carne da minha carne;
chamar-se-á varoa,
porquanto do varão foi tomada.
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. (Gênesis 2.15-24)

No capítulo 2 vemos especificamente a criação do homem e da mulher. Nesse texto há muitas coisas que devemos notar. Vemos que o homem foi criado antes da mulher, nas cartas de Paulo ele argumenta o papel de submissão da mulher baseado na ordem da criação (veja 1 Timóteo 2.13[9]). Depois vemos que Deus colocou o homem para cultivar e guardar o jardim, e que somente ao homem foi dada a ordem de não comer da árvore do bem e do mal. Continuando no texto, vemos que ao homem foi dada a função de dar nome aos animais, o que ele fez, esse ponto é muito importante porque o ato de nomear representa a autoridade e vemos que isso significa que o homem tem autoridade sobre os animais.
Depois de vermos no relato da criação várias vezes a expressão “era bom” vemos que pela primeira vez Deus diz “Não é bom”. Apesar do homem cumprir com as tarefas que lhe foram designadas, ao contrário do que acontecia com os outros animais o homem não tinha uma auxiliadora idônea, uma auxiliadora semelhante a ele que o completasse. Deus então toma uma costela de adão e forma a mulher.
1. O fato da mulher ter sido feita da costela do homem mostra que em essência a mulher é igual ao homem “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.;
2. O fato da mulher ter sido feita da costela do homem reforça que ela deve ser submissa ao homem (veja 1 Cor 11.8[10]);
3. O fato da mulher ter sido feita da costela do homem demonstra que o homem é incompleto sem a mulher “Não é bom que o homem esteja só”
4. O fato da mulher ter sido feita da costela do homem implica que só ela pode completar o homem “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”
Percebemos quão alegre ficou Adão quando Deus lhe trouxe sua mulher, tanto que ele compôs uma espécie de canção a ela, na qual ele reforça o fato de ela ser igual a ele “osso dos meus ossos e carne da minha carne;” mas nessa canção Adão também da um nome a sua esposa, e isso reforça que ele tem autoridade sobre ela.
No final do capítulo 2 vemos a instituição do casamento, a ideia do casamento é que o homem deixe Pai e mãe, isso indica que é o homem que deve tomar a atitude de encontrar a mulher. Todo romantismo (lembremo-nos da canção de Adão para Eva), cortejo e cavalheirismo[11]se baseiam no fato de que o homem deve conquistar a mulher, e não o contrário. Além disso, vemos que no casamento os dois voltam a ser um, assim como na criação de um foram feitos dois no casamento de dois se faz um. Qualquer tentativa de independência de uma das partes em um relacionamento matrimonial vai contrariamente ao próprio princípio do casamento, pelo qual os dois agora são um.
“Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis.  Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.  Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?  Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?  Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.” (Gênesis 3.1-12)
E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser a mãe de todos os seres humanos. (Gênesis 3.17-20)

Esse texto é muito rico em nos elucidar alguns pontos sobre a liderança masculina. O primeiro fato que nos intriga é o que o homem estava fazendo enquanto sua mulher conversava com a serpente. Vemos com isso que o homem falhou em seu papel de tomar conta da mulher que o próprio Deus o deu. Depois além dessa falha Adão é convencido pela sua mulher a comer o fruto. Apesar de Adão ter autoridade sobre sua esposa, ele descuidou dela de modo que ela ficou vulnerável a serpente, e que ele também obedeceu a ela comendo do fruto que ela o deu.
Deixar que a esposa mandasse nele, fez Adão arranjar uma desculpa em relação ao seu pecado “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.” Essa atitude de Adão, nos mostra porque constantemente os homens fogem da liderança, porque ela implica em responsabilidades das quais como Saul queremos nos esconder, é mais fácil deixarmos as mulheres liderarem e arcarem com as responsabilidades implicadas no exercício da liderança.
Apesar de Eva ter comido o fruto primeiro, apesar de Adão fugir de suas responsabilidades como líder, ainda assim, é com Adão que Deus fala primeiro. Somente ao homem tinha sido dada a ordem de não comer do fruto (isso implica que o homem deve ensinar a mulher a Palavra de Deus), e ainda que a esposa dele falhasse nesse papel, a responsabilidade era também dele.
Mais adiante, o texto mostra que o trabalho, que já existia antes da queda, se tornaria mais difícil ao homem, e que ao homem foi dito “em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida”.
Por fim, vemos novamente uma atitude de autoridade do homem sobre a mulher, ele novamente deu nome a ela, chamando-a de Eva.
Como poderíamos resumir o que a criação e a queda nos ensinam sobre o papel do homem? Ensinam que o homem tem autoridade sobre a mulher, que em essência ela é igual ao homem e que é a única que pode completar o homem, além do homem ser responsável por protegê-la e ensiná-la sobre a Palavra de Deus.

Autor: Ivan Junior (esse texto é o capítulo de um livreto sobre a liderança masculina, que em breve pretendo divulgar).



[1]O Pastor Conrad Mbewe usa o relógio como exemplo para falar sobre o inferno, jogamos fora o que não cumpre sua função, no inferno é como se fossem jogados fora aqueles que não vivem para o propósito de servir seu criador.
[2]Vamos considerar aqui evolução, como a crença de que de um ser vivo formado só por uma célula evoluiu em bilhões de ano formando todas as espécies de animais que existem hoje.
[3]Uso esses termos com os seguintes significados: Complementarista, vendo o homem e mulher apesar de iguais em essência com papéis diferentes mas complementares, e igualitarista vendo que homem e mulher devem desempenhar os mesmos papéis.
[4]Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.
[5]Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
[6]Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
[7]O Paganismo, vê o homem como dominado pela natureza, enquanto no Cristianismo é o homem que deve dominar a natureza.
[8] No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus. (1 Coríntios 11.11-12)
[9]Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva.
[10]Porque o homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem.
[11] Isso não significa que a conquista acaba quando o homem se casa, visto que pelo próprio propósito do casamento o divórcio é proibido, cabe ao homem conquistar a mesma mulher todos os dias.